Comunidade lusófona peregrina à catedral e identifica-se com a experiência humana de Cristo
Centenas de fiéis da comunidade lusófona caminharam até à catedral para a Oitava, num gesto de fé e confiança em Nossa Senhora.
Centenas de fiéis da comunidade lusófona residente no Luxemburgo participaram ontem na sua peregrinação anual no âmbito da Oitava, dirigindo-se à Cathédrale Notre-Dame de Luxembourg para se confiarem à Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos.
A procissão teve início na igreja do Sacré-Cœur, na Gare, de onde os peregrinos caminharam até à catedral, acompanhados pelo arcebispo do Luxemburgo, o Jean-Claude Hollerich, e por vários sacerdotes provenientes de diferentes países de língua portuguesa, ao serviço das comunidades lusófonas no país.
A Eucaristia, celebrada na catedral e presidida pelo cardeal, foi marcada por uma homilia profundamente ligada à realidade dos migrantes. Partindo da Encarnação, o arcebispo do Luxemburgo convidou os fiéis a olharem para a vida de Jesus: “Primeiro, o exílio, como refugiado no Egito. Depois, Nazaré, um lugar pouco considerado, onde Jesus foi também alvo de preconceito.”
Sublinhando a dimensão humana de Cristo, acrescentou: “Jesus foi já discriminado na sua humanidade: pelo exílio e pela sua origem, vindo de um lugar visto como diferente.” E recordou a célebre pergunta: “De Nazaré pode vir alguma coisa de bom?”
Dirigindo-se diretamente à assembleia, o cardeal estabeleceu um paralelismo claro com a experiência dos fiéis: “Também vós deixastes os vossos países — Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau — e viestes para aqui. Partilhais a experiência de Jesus.”
Referindo-se às dificuldades da integração, acrescentou: “Aqui, a língua é diferente. Nem sempre é fácil exprimir-se como na própria língua materna. Essa também foi uma experiência de Jesus.” E evocou ainda o impacto da mudança: “Perde-se a espontaneidade do viver em conjunto. É preciso reconstruir relações, criar novos laços.”
Outro ponto forte da homilia foi o valor do trabalho. “Jesus trabalhava com as suas mãos”, recordou, acrescentando: “As mãos de Jesus eram mãos de trabalhador.”
Num momento particularmente marcante, ao falar da comunhão, o cardeal expressou a sua admiração pela comunidade: “Quando vejo as vossas mãos, vejo mãos que trabalham. Obrigado por essas belas mãos de trabalhadores.” E concluiu: “Partilhais a mesma experiência humana que Jesus.”
A celebração foi animada por um coro dirigido pelo maestro português José Paulo Peixoto.por que contribuiu para um ambiente de recolhimento e alegria.
Este ano foi a imagem de Nossa Senhora de Fátima que saiu na procissão da Oittava e ficou exposta durante toda a missa, lado a lado, com a consoladora dos Aflitos.
A peregrinação da comunidade lusófona continua a ser um momento alto da Oitava, reunindo fiéis de diversas origens num gesto comum de fé.
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